Meus critérios para votar

27 09 2018

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Nesta época muitos amigos pedem minha opinião sobre os candidatos de todas as esferas, então vou expor meu raciocínio. Raciocínio sim, pois eleição não pode ser resolvida com os critérios que escolhemos um time de futebol, ou seja, puro coração. Os principais candidatos a presidente são o capitão do PSL que aparece em primeiro lugar nas pesquisas, Haddad do PT, o indicado de Lula, Ciro Gomes do PDT e Alkmim do PSDB. Os demais estão fora do páreo e a tendência é um segundo turno com o capitão e Haddad. A polarização para a presidência tira o foco de outra eleição muito mais importante, a do Congresso Nacional. Toda a Câmara dos Deputados e 2/3 do Senado estão em disputa. Já vimos que não adianta eleger um presidente pois o Congresso pode cassar o voto do eleitor para presidente e substituí-lo pelo candidato escolhido pela maioria dos 513 deputados e 81 senadores. Então, não basta escolher o presidente de sua preferência e votar em deputados e senadores com ideias opostas, pois o programa de governo que você escolheu não vai ser implementado sem maioria. Sem maioria, um presidente fica refém da maioria de congressistas corruptos prontos a vender seu voto para quem pagar mais, como estamos vendo com o atual legislativo federal. Sempre o que está em jogo numa eleição democrática são interesses econômicos. De um lado estão os grandes empresários, banqueiros e o agronegócio (que se tornou um caso a parte), ou seja, gente que vive de lucros, juros e benesses do governo, nesta ordem e, de outro os interesses dos que vivem de salário pago pelos primeiros e de micro e pequenos empresários que, na prática não vivem melhor do que muitos assalariados. Eu sou assalariado, portanto vou falar deste lado, que é o meu lado. Pense na negociação coletiva anual da sua categoria de trabalhadores. Se você acompanha as notícias do sindicato sabe que de um lado fica o sindicato que representa você exigindo no mínimo a reposição das perdas do último ano e de outro os empresários, seus patrões, sempre se queixando de barriga cheia e querendo se possível reduzir seu salário porque assim aumentam seus lucros. Se os trabalhadores conseguem fazer uma greve forte quebram um pouco a resistência dos patrões e conseguem um reajuste melhor, senão é uma negociação de faz de conta em que a vontade do patrão prevalece. Não é assim? É. Se você é assalariado servidor público, sua negociação é com o governo federal ou estadual. Quem é servidor sabe que negociação no serviço púbico só acontece abaixo de greve. Agora veja o que aconteceu desde que esse Congresso, cuja decência conhecemos todos, tirou Dilma da presidência e colocou Temer. Era o vice da Dilma? Sim, mas se o Congresso quisesse poderia ter chamado novas eleições. Era só manobrar os prazos no sentido oposto ao que manobrou. Então, este Congresso escolheu Temer. E para fazer o que? Para salvar o Brasil? Vejamos o que foi feito pelo escolhido. Das primeiras providências foi aprovar a abertura do pré-sal, nossa maior riqueza explorável, para empresas estrangeiras. Quem ganha? O Brasil? Não. Óbvio, ganham as empresas estrangeiras. Perdem os brasileiros pois os lucros que poderiam ser gastos no Brasil pela empresa brasileira, serão levados para outros países pelas empresas de lá. Logo em seguida os deputados que votaram pelo impeachment aprovaram a Reforma Trabalhista que acabou com enorme quantidade de direitos de trabalhadores. Lembram das negociações coletivas que falávamos acima? Agora os patrões nem precisam se preocupar. Antes podiam negociar apenas alguns direitos pois a maioria era garantida por lei. Agora podem fazer o que quiserem, não tem mais lei. Até para reclamar na Justiça do Trabalho ficou mais difícil pois se o juiz achar que o trabalhador não tem algum direito dos que foram pedidos, pode ferrar o trabalhador que pediu, impondo-lhe prejuízos financeiros. Mais uma vez a pergunta: quem ganhou com isso? O Brasil? Não. Os assalariados? Não também. A maioria dos brasileiros é assalariada, trabalhadora. Quem ganhou foram os empresários, banqueiros e agronegócio que vão pagar menos pelo mesmo trabalho. Junto com isso os que tiraram Dilma aprovaram o congelamento de gastos públicos com salários de servidores, sistema de saúde, educação, segurança, moradia. Quem perdeu foram os assalariados que terão menos atendimento público e serão forçados a pagar a empresários (mais uma vez) por saúde privada, escolas particulares, vigilância privada e juros mais altos da casa própria em bancos privados. Simples assim. Mais uma vez Gganharam as grandes empresas, bancos, agronegócio. Mas você ouviu na TV que a Reforma trabalhista era boa, que o congelamento era necessário e que a Petrobrás fica melhor nas mãos de empresários privados. Acorde! Quem são as Tvs? São GRANDES EMPRESAS com interesse direto em todas as coisas que interessam a grandes empresas. Tenha sempre isso em mente quando ouvir notícias nas milionárias redes de televisão, jornais e rádios, para não ser enganado ingenuamente. Além disso, o governo colocado no lugar da Dilma pelo mesmo Congresso que a tirou, transformou-se num balcão de negócios para esses mesmos setores. Aprovaram liberação de agrotóxicos, fim da identificação de trangênico no rótulo, liberação de reservas ambientais para mineração, venda fraudulenta de pedaços da Petrobrás e muitas outras barbaridades. Todos os que aprovaram o impeachment o fizeram PARA ISSO, entenda de uma vez. Isto não tem nada a ver com gostar da Dilma ou não. Tem a ver com entender que houve um golpe contra o Brasil para fazer todas essas coisas que com Dilma seria difícil. Só não vê quem não quer. Pior cego é o que não quer ver dizia minha vó. Então, vamos ao voto. Não voto de maneira alguma em quem patrocinou esses assaltos ao Brasil e aos direitos do povo brasileiro em pól dos lucros das grandes empresas nacionais e estrangeiras, bancos e agronegócio. Não sou empresário como eles, sou trabalhador, vivo do meu salário e me utilizo do serviço público que deve continuar público para continuar gratuito. Essa gente no poder cuida muito bem dos próprios interesses que se opõem aos meus de trabalhador. Diante disso, voto Haddad 13 para voltar ao Brasil de Lula que era muito, mas muito melhor para trabalhadores como eu do que este atual que a maioria dos candidatos participa e quer continuar. Desligue a TV e puxe pela memória. Puxe mesmo, porque ver TV todo dia como meio de informação, mexe com seu cérebro. Pelas mesmas razões só voto em senadores e deputados que sejam contra todas as reformas e leis de Temer. Jamais votarei em quem ajudou a aprová-las porque vai fazer de novo. E já anunciam a Reforma da Previdência para reduzir ainda mais as aposentadorias de quem? Nossas, os trabalhadores assalariados. E o Ciro? É um bom candidato, mas não tem partido e isso fará falta nas negociações no Congresso. É um quadro muito qualificado para postos de governo e espero sinceramente que venha a ocupar um Ministério no governo de Haddad. Acho que seria um ótimo Ministro da Fazenda capaz de gerir a economia a favor dos interesses do povo e do Brasil e não de uma minoria que se locupleta de toda a riqueza. Aqui em Santa Catarina jamais votaria em Amim que votou a favor da reforma trabalhista, do congelamento de gastos com saúde, educação, segurança e moradia, assim como em Colombo que não fez nada de novo pelo povo durante dois governos, mas teve os meios de comunicação a apoiá-lo o tempo todo sem cobranças. Pense! Diga duas realizações importantes dele que não sejam o feijão com arroz de sempre! Não conheço. Jorginho Melo, então? De jeito nenhum! Votou a favor da reforma trabalhista que tirou nossos direitos, do congelamento de gastos e da entrega do pré-sal aos estrangeiros. Para mim já basta. Não tem meu voto. Eu presto atenção no que eles fazem. Paulo Bauer idem, votou em todas essas merdas contra o Brasil e os assalariados. Pensem! Se votarem nesses caras eles vão continuar sendo quem são, votando contra nós no Congresso e protegidos dos grandes empresários da TV, rádio e jornais para que você não perceba. Olha a Reforma da Previdência aí! Sou jornalista e se tem coisa que conheço bem são meios de comunicação. Jornalistas empregados deles não dizem o que vêem, dizem o que o patrão manda ou vai procurar outro emprego como em qualquer empresa. Há também os que em troca de altos salários permitem que os patrões falem através de suas vozes. Um colega os chama de Colunistas Adestrados. Acho perfeito. É fácil reconhecê-los. É só prestar atenção. Diante disso, vou votar em Lédio Rosa, do PT, 131 para o Senado e pouco me importam as pesquisas. É um Desembargador de carreira recém aposentado, professor da UFSC e tem uma vida pública impecável, comprometida com os trabalhadores. Para a segunda vaga vou escolher entre a outra candidata do PT e os do PSOL. Para Federal vou votar em Elenira do PT, 1300. É uma colega servidora federal, professora do IFSC que conheço das lutas e dos palanques desde que ela fazia movimento estudantil na década de 90. Ela, como eu, tem lado. Nunca votará contra trabalhadores nem contra o Brasil dos trabalhadores. Para Estadual, voto em Carla Ayres, 13044, uma militante pelos direitos da mulher. Sou homem, hétero e feminista e, como Rosa de Luxemburgo, luto por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. Carla, como Elenira, outra militante da causa, ajudarão a fazermos um mundo melhor. Nesta eleição não voto em candidatos do PCdoB nem do PDT pois estão aliados e coligados a Merísio e dar meu voto a eles é ajudar a eleger candidatos que defendem interesses opostos aos dos trabalhadores como eu. Quase esquecia o governador. Obviamente, pelo que você leu até aqui, não preciso dizer que estou do lado oposto às ideias defendidas por Bolsonaro e quem esteja com ele em razão dessas ideias, como o candidato Merísio, que já excluo de minhas considerações. Seu vice, Kleinübing, também votou a favor da reforma trabalhista, do congelamento, da entrega do pré-sal e das outras barbaridades já citadas assim como o candidato do MDB de Temer, Mauro Mariani que como Kleinubing é deputado federal. Não dizem que Democracia é isso? Se o cara fizer merda não terá meu voto na próxima eleição. A próxima eleição chegou. Fico então com Décio Lima do PT, 13, para governador. Voto é uma coisa muito séria pois numa Democracia, ele interfere diretamente na nossa vida pelos próximos 4 anos aumentando ou retirando nossos direitos, aumentando ou retirando nossos serviços públicos, defendendo ou entregando as riquezas do Brasil, aumentando ou diminuindo a Democracia. Voto deve ser pensado, analisado e estudado com todo cuidado. Estude, pense, analise. Depois não adianta reclamar ou ir para a rua quando os empresários da TV chamam.

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