Puta que pariu, Vito Gianotti, não pode sair assim!

25 07 2015

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Vito se foi. Que tristeza no nosso front. Se Brecht pudesse opinar sobre Vito Gianotti, certamente o qualificaria como um daqueles imprescindíveis para a luta de classes. Desde que conheci esta figura inesquecível, imprescindível e insubstituível, que nos deixou ontem, percebi nele a mais profunda convicção da necessidade de mudar a ordem opressora e construir uma nova sociedade onde ninguém seja mais nem menos do que o outro. Todos os que lutamos nessa trincheira temos evidentemente nossas convições, mas a de Vito era maior. Essa luta era o grande objetivo de sua vida. Por lutar todos os seus dias pela emancipação da classe trabalhadora, Vito qualificou-se em cada um desses dias como um imprescindível.
Sua obstinação em ensinar aos trabalhadores a arte da comunicação para enfrentar a grande mídia da classe dominante era a grande marca dessa figura tão querida e eletrizante. Quando um trabalhador pega o boletim do sindicato – esbravejava Vito – ele tem que ler o título e já dizer: “Puta que pariu! É isso mesmo, tenho que lutar essa luta, fazer essa greve, seguir nesse caminho. Se ele não disser Puta que pariu, é porque não entendeu nada. Não serviu pra nada o boletim. Então, pôrra, tem que falar a língua do trabalhador e não sindicalês, juridiquês, economês, senão o cara não entende nada e o material só serve para alimentar o ego do dirigente, mas não pra falar com a base.” Esse era Vito ensinando. Mas não era só palavrão, embora eles fossem uma espécie de marca do italiano. Quando gravamos a entrevista abaixo para a TV Justiça, sobre as manifestações de junho, eu falei pra ele que tinha que controlar os palavrões senão era capaz dos caras de Brasília censurarem. Ele repondeu com aquele jeito inconfundível: Não, não tem problema, eu já falei até para os padres e não disse nenhum palavrão. Prá quem quer matar a saudade, aí está Vito, entrevistado pelo companheiro Vanderlei Ricken. Pretendíamos fazer outra entrevista quando ele viesse a Florianópolis em Setembro, mas não vai dar.
Grande camarada, todos nós que ficamos tentaremos juntos continuar esta luta que tão bem nos ensinastes e nos provocastes a lutar e faremos uma comunicação contra-hegemônica cada vez melhor. Venceremos!

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