Defender a Petrobrás e atacar a corrupção pela raíz

13 03 2015

A ampla divulgação da corrupção na Petrobrás e a justa indignação da população não é um fato isolado, é apenas a ponta do iceberg de todo um sistema corrupto cujo objetivo é desviar imensas quantias de dinheiro público para grandes empresas privadas, as quais, ao mesmo tempo, lucram e compram poder político através dos candidatos e partidos que financiam. Criou-se um círculo vicioso em que empresas financiam as campanhas eleitorais de presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores para, como pagamento, receberem obras e contratos. Nos preços das obras e serviços apresentados nas licitações, sempre tem um extra para alimentar a propina dos partidos no poder. É difícil encontrar um partido que não esteja envolvido nesse modelo eleitoral corrompido em que o ilícito caixa dois se tornou argumento de defesa nos processos judiciais. O objetivo desse sistem é garantir o fluxo de dinheiro público para as empresas e destas para as campanhas. Ganham as empresas e ganham os políticos, mas perde a democracia.

Muita coisa está em jogo

Varios interesses estão em jogo no escândalo da Petrobrás. Primeiro, há o interesse das grandes empresas petroleiras internacionais em usar o escândalo, não para ajudar o Brasil, mas para forçar a privatização da estatal e comprá-la. Segundo, há o interesse de políticos e empresários brasileiros que apoiaram o candidato derrotado Aécio Neves, não em restaurar a moralidade, já que são velhos especialistas em corrupção (mensalão mineiro e metrô de SP que há 20 anos financia campanhas do PSDB), mas em enfraquecer o atual governo e tomar-lhe o lugar.
Estes dois primeiros interesses estão todo o dia nos noticiários da grande mídia empresarial, disfarçados de “patriotismo”, “moralismo” e “indignação com a corrupção” artifícios publicitários para vender uma falsa democracia movida não pela vontade do povo, mas pelo dinheiro de empresários ricos. Eles sempre se locupletaram nesse sistema e assim pretendem continuar.

O sistema corrupto mexe com nossas vidas

Nós cidadãos comuns, sim, estamos indignados e sempre estivemos com a corrupção. E aí chegamos ao terceiro interesse, o interesse do povo cansado dos desmandos e de pagar a conta sempre que falta dinheiro para distribuir a essa gente. O chamado “ajuste fiscal” em curso, com ataques a direitos dos trabalhadores e aos próprios empregos pela retração econômica, mostra que não é só da corrupção de contratos públicos que as grandes empresas se locupletam. Quando os partidos que elas financiam são maioria no Congresso, ganham poder de barganha no Executivo que distribui ministérios em troca de apoio. Entregando o Ministério, entrega o poder naquela área de governo. Poder de fazer licitações, de definir quais projetos serão executados (estradas, usinas, aeroportos, ferrovias, habitações populares, programas sociais) e, junto com esse, o poder de arrecadar propinas e financiar campanhas, voltando ao início do círculo.
Em tudo isso destaca-se em especial o poder de definir políticas econômicas e monetárias através do Ministério da Fazenda e Banco Central o que atinge diretamente todo o povo. Cada aumento de 1% na taxa de juros significa o repasse de R$ 6.000.000.000,00, seis bilhões (os zeros são propositais), de dinheiro público para bancos e investidores privados do mercado financeiro. Cada aumento de 1% ! Fala-se que os desvios da Petrobrás podem chegar a R$ 3 bilhões nos últimos 12 anos, e todos estão escandalizados com razão, mas não se fala que só o aumento, este sim escandaloso, de juros da semana passada jogou 3 bilhões em um instante nos bolsos de parasitas especuladores do mercado financeiro. Não se fala e não se falará. Não se ouvirá nenhuma crítica a este roubo de dinheiro público nos jornais das empresas de mídia pois elas, na qualidade de grandes empresas, fazem diretamente especulação financeira e lucram muito com isso sem fazer nada além de jogar com notícias alarmistas que forjam uma opinião pública favorável aos seus interesses. Ao contrário, ouviremos os colunistas adestrados, especialistas em defender os interesses do patrão, a dizer que o aumento de juros é necessário para conter a inflação. Porque se contém inflação aumentando os depósitos compulsórios dos bancos? O grande escândalo diário é escondido embaixo do tapete enquanto escolhe-se outro assunto para distrair o povo.

Aproveitar o momento para atacar o sistema

O que fazer diante do escândalo da Petrobrás e do que ele já mostrou de concreto, ou seja, que a raíz de toda a corrupção são os financiamentos milionários de campanhas eleitorais que fraudam a democracia e criam uma máfia de políticos corruptos? Fingir que não existe, como querem alguns? Ou defender-se com o argumento de que os outros também são corruptos? De jeito nenhum. Temos que aproveitar o momento e fazer desse limão a limonada que a democracia aguarda sedenta. Temos que atacar com firmeza a raiz da corrupção que se tornou visível com este escândalo. Do contrário vamos acreditar, como muitos influenciados pela mídia, que acabando com o PT acabamos com a corrupção.
A resposta sobre o que fazer de concreto, parece óbvia e a OAB, juntamente com os movimentos sociais estão defendendo uma reforma política que acabe com os financiamentos empresariais de campanhas eleirtorais e limitem as doações de pessoas físicas. E você acha que isso vai passar nesse Congresso em que os presidentes da Câmara e do Senado são investigados na Lava-jato? Difícil, não é? Afinal, a ampla maioria dos parlamentares lá foi eleita com recursos vindos desses esquemas. Por isso, precisamos de uma Constituínte Exclusiva para fazer a reforma política e este é o objeto de um projeto de lei de iniciativa popular, assinado pela OAB e outras entidades, cujo abaixo assinado está circulando o Brasil. Já assinou?
Por isso tudo, a Federação Única dos Petroleiros-FUP e uma enorme quantidade de sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais como UNE, MST e outros, estão convocando para hoje, 13 de março, Atos em todo o país, em defesa da Petrobrás, dos direitos dos trabalhadores e de uma Reforma Política que proíba os financiamentos empresariais. Ou seja, mirando no alvo certo. Quem só quer acabar com o PT, é só seguir as orientações Globo-Veja, mas quem, como eu, está indignado e quer mudar o Brasil enfrentando a corrupção pela raiz exposta, tem para onde ir. Em Florianópolis o ato será, hoje, sexta, em frente a Catedral, às 16 horas.

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