Chega de substitutos

6 11 2014

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Outro dia assisti de novo um filme de ficção científica chamado “Substitutos” (Surrougates), filmado em 2010. Sou viciado em ficção científica desde que assisti o primeiro filme do gênero, ou li o primeiro Isaac Asimov ou a primeira história em quadrinhos (outro vício desde pequeno), não lembro exatamente qual foi a primeira dose. O filme é baseado em uma HQ de Robert Venditti (roteiro) e Brett Weldele (desenhos) e seu argumento é um mundo em que as pessoas por comodismo, insegurança, medo, depressão, ou seja lá o que for, deixam de ir para a rua e mandam no seu lugar “substitutos” operados on line. O cidadão acorda, toma café e deita numa máquina que o conecta ao andróide e passa o dia fazendo suas coisas com o corpo artificial comandado diretamente por sua mente. O corpo artificial é todo bonitinho, sem defeitos, pode se machucar e é consertado, não pega nem AIDS, nem sofre de hérnias de disco. A maioria esmagadora da população vive assim, mas há um grupo de dissidentes que insistem em viver diretamente em contato com a natureza através de seus próprios corpos. São tratados como seres pré-históricos, avessos ao progresso, etc. Em resumo, as pessoas não vivem mais no mundo real, só seus robôs. As rugas, dores nas costas, paranóias, depressões, ficam em casa no corpo inerte deitado na máquina. Mais ou menos como acontece atualmente. A maioria dos indivíduos só tem contato com os acontecimentos, como as últimas eleições por exemplo, e interagem com eles, pelo facebook. Nesse mundo virtual todo mundo é valente, xinga, briga, se posiciona – ainda que pelo simples compartilhamento de posicionamentos dos outros – e tomam atitudes que não tomariam frente a frente com seus “opositores” ou com um interlocutor qualificado capaz de colocar em risco suas certezas fabricadas pela mídia. A internet pode ser um instrumento importante para muitas coisas, desde que não se transforme num substituto do mundo real. Digo tudo isso, para avisar aos amigos que comigo interagem nesse mundo virtual que estou saindo. Vou desintoxicar meu cérebro. Só quero debater com quem se disponha a me olhar cara a cara e conversar ao vivo, como se fazia antigamente, por mais obsoleto que este método possa parecer. Então, quem quiser saber minha opinião ou expressar a sua, me ligue, me convide para tomar um vinho em qualquer lugar, jantar, tomar um café e conversaremos pelo tempo que for necessário e prazeiroso. Não se faz um debate verdadeiro com frases clichês sem conteúdo algum e, em geral é o que acontece com no face. Só usarei a internet como veículo de divulgação de posts do meu blog. É uma utilidade razoável. Se não quiser telefonar, mande um e-mail que também funciona. Senti que meu cérebro está sofrendo mutações que não me parecem saudáveis sob efeito dessa droga. Até mais “amigos” do Facebook, vejo-os no mundo real. Ou não.








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