Em quem voto e em quem não voto nem amarrado

29 09 2014

100 mil

Eu e Angela Albino trabalhamos juntos no TRT, militamos juntos no sindicato, fizemos muitas greves e ela acabou se filiando no mesmo partido em que eu já militava há muitos anos. Pedi muito voto para ela como vereadora e deputada. mas desta vez não vou fazer isso. A posição que vou expor, não tem absolutamente nada de pessoal. É essencialmente política.

O PCdoB, meu partido, em SC, tomou uma decisão equivocada e impossível de ser seguida por um comunista como eu. Nestas eleições aliou-se a partidos da direita encabeçados pelo PSD do governador Colombo, ex-PFL que tem até o DEM na chapa. Já me manifestei sobre isso ( https://criticadaespecie.com/2014/07/01/direcao-faz-do-pcdob-catarinense-uma-sucata-ideologica ). Assim fazendo, optou por desprezar votos ideológicos da esquerda, aqueles que, anônimos, sempre votam nos candidatos comunistas por convicção ideológica e confiança na sigla, ou seja, os votos conscientes. Os defensores da aliança, que considero absurda, dizem que o importante é eleger a qualquer preço. Me incluo entre os comunistas que não ultrapassam certos limites éticos e classistas. Por toda minha vida de militância nas lutas da classe trabalhadora, me sinto ofendido ao ver candidatos do PCdoB na televisão, e a foto do Colombo ao fundo, com aquela cara de Papai Noel de shopping que coloca a criança no colo, pede um beijo (voto) e promete presentes que nunca vai dar. Colocam Colombo ao fundo e se apresentam como “um novo jeito de fazer política” (!?) Cada um é livre para adotar os conceitos que quiser. Chamam isso de “pragmatismo”, eu chamo de outra coisa.

Além da questão ético-política, há outra de ordem prática que me impede de votar na candidata do PCdoB a deputada federal, Angela Albino. Este ponto foi muito bem explicado pela camarada Elenira Vilela, de quem pego emprestadas as reflexões pois são, letra por letra, exata e redundantemente, o que penso do assunto. Diz Elenira:

“Nessa postura há um detalhe muito importante que torna a decisão ainda mais absurda do ponto de vista político: o PCdoB compõe com candidata única a coligação proporcional que oferece candidatos a Câmara Federal com 12 partidos: PSD / PRB / PMDB / PR / PTB / PSC / PSDC / PROS / PV / PC do B / PDT / DEM. Lembre-se que a eleição pra proporcional é por partidos ou coligações primeiro e somente depois nominal. Como está explicado nesta reportagem da Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/politica/como-e-eleito-um-deputado-7022.html. A coligação da qual o PCdoB participa para estadual é bastante mais restrita e não conta com o DEM, o PMDB e o PSD, partidos de oposição de direita ao projeto nacional (lembrando que o PMDB de SC é oposição, apesar de nacionalmente o partido compor o governo) e tem se mostrado eixo central na tentativa de evitar o avanço de políticas sociais e todas as iniciativas do governo no sentido da distribuição de renda e melhora da vida do povo. Além de combater a construção da soberania brasileira em relação ao imperialismo e na autodeterminação de povos como os BRICS, a ALBA, o Mercosul e o G20 de países em desenvolvimento. Portanto, eleger deputados dessas coligações significa fortalecer o pior inimigo que temos, os mais reacionários e mais vorazes.”
(…)

Não é nada pessoal, repito, mas votar em Angela Albino nessas eleições, continua Elenira com minha integral concordância, significa: “dar votos a um projeto diametralmente oposto, é votar em uma coligação e aumentar a chance de eleger figuras conhecidas da pior política catarinense como César Souza (nesse caso o pai), João Rodrigues (típico coronel da região oeste, que nossos companheiros enfrentam cotidianamente), João Paulo Kleinubing (herdeiro de mais uma das oligarquias catarinenses e ex-prefeito de Blumenau que representou enormes retrocessos na vida da população daquela cidade), Celso Maldaner (também de velha oligarquia local, está junto com Beto Albuquerque querendo derrubar a regulamentação da profissão de motorista, recentemente conquistada), Jair Miotto (ex-vereador de Florianópolis, pastor de uma igreja evangélica e que trabalha contra avanços nos direitos humanos), entre outros…”

Registre-se que a esquizofrênica lei eleitoral permite coligações diferentes para cada cargo e neste particular, reforço que a coligação do PCdoB para Deputado Estadual é diferente, com PDT, PV, PROS, PSDC e PTB, partidos cujos candidatos não possuem fichas ideologicamente incompatíveis com as lutas que luto, ao contrário dos aliados da chapa para federal.

Com isso, abro meu voto pensado e fundamentado nestas eleições.

ESTADUAL – Para Estadual, votarei em VALDUGA 65123, candidato do PCdoB de Chapecó, o camarada, que foi veementemente contra as coligações com a direita na decisão interna do partido, sendo um dos votos contrários, no que honrou e representou dignamente a militância partidária do oeste. Jamais votaria em um candidato que aprovasse aliança com Colombo como fizeram todos os demais.

FEDERAL – Será um candidato de partido de esquerda que não esteja coligado com a direita. Não voto na candidata única do PCdoB pelas razões expostas.  Provavelmente votarei em alguém do PT, do oeste, acompanhando muitos camaradas comunistas da região, com todo o respeito às demais candidaturas de esquerda do PSOL, PSTU e PCB.

SENADOR– Miltom Mendes (PT) – É um advogado trabalhista sério, comprometido com as lutas dos trabalhadores. É honesto e é companheiro de lutas. Não é possível que alguém vote em Paulo Bornhausen ou Dário Berger, gatos do mesmo saco que só servirão para manter a velha política e ache que está votando em mudança!

GOVERNADOR– Sem qualquer sombra de dúvida, VIGNATTI (PT) pois é a possibilidade material de mudar alguma coisa na velha política oligarquica catarinense. Também não sou idiota para cair na campanha anti-petista da mídia elitista desesperada pela perda de espaço da direita a qual pertencem os donos das TV’s, revistas e jornais. Está mais do que na hora de Santa Catarina experimentar um governo diferente dos de sempre. Não voto na direita nem amarrado, mas respeito o voto nos partidos de esquerda como PSOL, PSTU ou PCB.

PRESIDENTE– Outro dia um conhecido escreveu que vota na Dilma pois: “Aécio eu sei quem é e Marina, nem a própria sabe”. Acho que é simples assim. O velho Brizola disse uma vez que quando estava em dúvida sobre alguma coisa verificava qual a posição da Globo e ia para o lado oposto. Pode-se dizer o mesmo da grande mídia (Globo, Veja, Band, SBT, Estadão, Folha, RBS, etc). Portanto, se a mídia quer Aécio ou Marina, e age desesperadamente para eleger qualquer dos dois, eu vou de Dilma. Mas não é só por isso. Tenho muitas críticas aos governos do PT. Acho que poderiam ter feito mais no campo político, como regular o capítulo dos Meios de Comunicação da Constituição Federal, recuperar o monopólio da Petrobrás sobre o petróleo, ter suspendido o leilão de libra, ter revertido algumas privatizações comprovadamente lesivas ao patrimônio público como Vale, teles, geradoras de energia e portos. Não o fez, por medo de chamar o povo para enfrentar os poderosos que financiam o Congresso (e graças a Gilmar Mendes continuarão financiando nesta eleição). Mas Aécio e Marina representam a manutenção programática e intencional de tudo isso que eu quero acabar! Mesmo com todas as críticas que eu tenha, pelo que deixou de fazer, não há como fechar os olhos – o que faz a mídia – para as mudanças reais implementadas no Brasil nesses 12 anos Lula-Dilma. Tiraramos o Brasil do mapa da fome, enfrentamos a maior crise do capitalismo mundial preservando e criando empregos e melhorando salários enquanto trabalhadores dos países ricos pagam a conta dos desmandos de seus governos com desempregos de até 30% e enormes perdas de direitos e salários. Fui e sou contra o leilão do pré-sal, mas ele foi muito menos prejudicial para o país do que o modelo de concessões criado pelo PSDB que Aécio e Marina já se manifestarm favoráveis. A política externa brasileira pós-Lula, que sepultou a ALCA, nos aproximou da nova América do Sul soberana e criou os BRICS afastando o Brasil da submissão vexatória aos EUA em que nos havia colocado FHC foi o ponto alto desse período e precisa continuar. É a afirmação da nossa soberania. A mídia, a direita e os candidatos em que apostam não gostam. São alinhados vergonhosamente com o imperialismo estadunidense. Então, em respeito às críticas que faço ao governo do PT pelo que não fez, tenho que votar na Dilma pois as outras opções são o total retrocesso. Aécio é o PSDB que todos conhecem de FHC. Privatizações fraudulentas, terceirizações, ataque a direitos dos trabalhadores, “medidas amargas” (para o povo) já prometidas pelo Aécio, desemprego, arrocho salarial Quem é trabalhador e viveu o governo FHC, não digita 45 nem no micro-ondas (piadinha do face). Quem ouve Marina e observa suas alianças e mentores econômicos (todos tucanos), percebe: 1- Ela, pessoalmente é  desequilibrada e não tem noção do que está falando; 2- Quem vai dar a linha são os economistas tucanos, banqueiros do Itaú, oligarquias medievais do DEM, etc. E agora, a uma semana da eleição, foi às pressas a Washington quase escondida, sem agenda definida, para fazer o que? Segredo total! Ninguém fala. Vou confiar na inteligência dos leitores para imaginar.

Então, amigos, é Dilma sem maiores divagações, para evitar retrocessos dramáticos. E depois, é povo na rua pra mudar, pois sem trabalhadores organizados e mobilizados, isso tudo que queremos mudar não mudará.

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