Direção faz do PCdoB catarinense uma sucata ideológica

1 07 2014

Sucata ideologica

Nada sobrou de comunista no partido comunista depois da minúscuila convenção de cartas marcadas homologar aliança com a direita que comanda Santa Catarina desde que o estado existe. Não são comunistas os que defenderam e aprovaram esta barbaridade. Comunistas tem como principal objetivo a organização dos trabalhadores contra a exploração a que são submetidos num regime capitalista. A direita luta para manter a exploração e destruir a organização dos trabalhadores. Comunistas lutam para substituir o sistema capitalista por uma sociedade justa. A direita luta para preservar a injustiça em benefício próprio. A tática dos comunistas é aliar-se com todos os que representem os interesses dos trabalhadores, em maior ou menor escala, sempre do lado de cá. A tática da direita é cooptar lideranças dos trabalhadores para quebrar sua resistência enquanto classe. Comunistas não tem dúvidas sobre a classe que representam pois é esta consciência que os faz comunistas. É esta consciência que nos une e nos dá a direção da luta. Quando explorados se unem a algozes, um dos dois está errado. Não há dúvida.

O sucateamento ideológico do PCdoB catarinense começou quando se juntou ao governo da chamada tríplice aliança (PMDB-PSDB-PFL) do governador neoliberal Luiz Henrique, em troca de uma inexpressiva Secretaria de Esportes e mais alguns empregos de menor expressão. O partido permaneceu “sócio” do poder, sem poder atacá-lo como deveria fazer um partido comunista frente a um governo de direita. Nos últimos instantes desse governo que só atacou trabalhadores, o partido tomou a “corajosa decisão política” de abandonar os cargos. Nesse cenário, os “loucos por cargos” começaram a tomar conta da direção do partido. Afinal, eram importantes pois ocupavam cargos. Num círculo vicioso, vinham para a direção porque os ocupavam. Sendo direção, decidiam por alianças espúrias para preservar os empregos que chamam cinicamente de “espaço politico”. Passaram a impedir a participação dos verdadeiros comunistas nas decisões e acabaram com os debates. Acabaram até mesmo com um grupo de discussão na internet, pois começavam a questionar as decisões. Substituíram a ideologia pelo oportunismo e abandonaram a dialética.

Comunistas querem mudar o mundo e para isso é preciso mudar as ideias dominantes. As atitudes da direção do PCdoB em Santa Catarina nos últimos tempos em nada contribuem para romper a alienação reinante. Eram oposição aos Amim, depois se aliam com eles; compactuam em silêncio com os desmandos de Luiz Henrique e no finzinho do governo se fazem de oposição; se aliam de novo ao PMDB contra o PSD no segundo turno de Florianópolis com a promessa de uma secretaria, mas são derrotados. Sem nenhum compromisso com a coerência, o vereador aceita cargo na prefeitura do PSD e é expulso por isso, mas menos de um mês depois a mesma direção decide se aliar com o PSD para a eleição deste ano. O mais incrível de tudo é ver as caras de pau de gente que se diz comunista defendendo essa política esquizofrênica, como se dela dependesse o futuro da humanidade, ou do governo Dilma.

Para os comunistas os cargos parlamentares são espaços para plantar polêmicas, denunciar injustiças, desmascarar as manobras anti-povo e anti-trabalhadores, apresentar projetos que coloquem em cheque o sistema e seus representantes e mobilizar a sociedade para defender mudanças. Assim é possível usar um jogo roubado para ampliar a consciência da classe que a direita e a mídia tanto temem e tanto se esforçam por impedir. O que tem feito nossos parlamentares neste sentido? Quais projetos polêmicos foram apresentados? Quantas vezes chamamos as massas para a mobilização em defesa de seus interesses objetivos? Não percamos tempo tentando lembrar. Nossos parlamentares não entram em bola dividida para não prejudicar os acordos de gabinete com inimigos ideológicos da classe que deveriam representar. Jogam o jogo e aceitam as regras.

Não são comunistas como eu aprendi a ser nos meus 33 anos de militância.

Com a direita, NUNCA! Respeitar decisões do partido? Só se forem sérias e coerentes. Os torturadores sempre se defenderam dizendo que “obedeciam ordens”. Criaram até a teoria da “obediência devida” na Argentina. Se até o Direito diz que ninguém é obrigado a obedecer ordens manifestamente ilegais, este princípio se aplica também na Política. Não sigo orientações manifestamente contrárias aos princípios que me fizeram comunista. Ao contrário, porque sou comunista, por coerência, tenho obrigação de descumprí-las e denunciá-las.

Não voto em candidatos de direita nem em quem se alia a eles. Acho que ninguém que se considera de esquerda deve votar em quem trai nossa classe. Ajudar a eleger governos de direita não contribui para a luta dos trabalhadores. Não votarei nos candidatos do PCdoB em Santa Catarina que defenderam esta aliança com opressores. E não me venham com seus ridículos argumentos pois eles ofendem a inteligência de qualquer um. Talvez a única forma de depurar a sucata ideológica em que se transformou o PCdoB catarinense e resgatar os princípios que movem um partido de classe seja não eleger ninguém. Pode ser que assim, sem ter mais nenhum interesse pessoal em cargos ou vantagens materiais, os oportunistas sigam em frente, procurem partidos mais apropriados aos seus anseios eleitoreiros e deixem o partido comunista para os trabalhadores organizarem a luta da classe cujas principais batalhas se dão nos locais de trabalho e nas ruas e não no parlamento. Certa vez fiz uma reportagem numa fundição, dessas onde se derrete ferro para moldar peças. Quando vi uma montanha de sucata na fábrica perguntei do que se tratava. Explicaram que é melhor derreter ferro que já foi fundido uma vez pois ele tem menos impurezas que o minério bruto.

A foice e o martelo do PCdoB podem ter virado sucata pelo mau uso, mas as ideias que este símbolo representa ainda são a melhor substância para transformar o mundo.

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2 07 2014
Janete Teixeira

Caio Teixeira você coloca muito bem as questões me relembrando inclusive, de situações que havia esquecido e não menos importantes, mas para nos proteger da dor de ver tantas injustiças, acabamos colocando em algum lugar do nosso cérebro e coração. Quando por muitas vezes briguei e por algum tempo me senti sozinha numa luta desigual. Que vocês consigam fazer esta mudança que é urgente, o PCdoB e seus militantes sérios e porretas que tem e por todos nós consigam essa limpeza essa faxina necessária. Saí do partido em outubro/13, depois de cumprir um papel que sei que é importante que é ocupar nosso espaço enquanto comunista, mulher e trabalhadora, mas adoeci e tive que fazer tomar uma decisão que me doeu muito, não foi fácil, é muito frustrante se ver em situações que jamais esperava dentro de um partido de esquerda, por muitas vezes me senti sozinha a não ser pelo meu companheiro Pedro Teixeira e de amigos verdadeiros e que não eram necessariamente do PCdoB. Adoeci do fígado e dedico as pedras do meu fígado que não são poucas aos meus algozes que pensei ser camarada. Nunca deixarei a política pois é maior do que o meu eu. Continuo como sempre fazendo meus trabalhos sociais dentro das comunidades pela educação, saúde, etc. pois não preciso de cargo, política ou partido para seguir realizando o que me dá prazer. Sou sim muito mais comunista, socialista, ou seja lá o que for do que muitos que existem por aí. Quem me conhece lembra da minha cobrança pelo PCdoB estar nas comunidades que seus camaradas pelo menos participassem das associações de onde moravam, não em época de eleição, cadê o pessoal na discussão do Plano Diretor? Nas discussões em que as comunidades precisam tanto de pessoas para ajudá-las a ver projetos e políticas públicas acontecer. Me sinto aliviada, mas triste pelos meus camaradas que admiro tanto. Parabéns e que não se curvem para que se consiga um verdadeiro partido, pois ele é maior do que essas pessoas que o estragaram. Abraços.

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