Por baixo do grafiti do Armazém Vieira

10 11 2013

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Há muito mais sob o grafiti do Armazém Vieira, em Florianópolis, do que a fachada de um prédio histórico. Encoberto pelo debate sobre arte urbana contemporânea está o golpe do projeto de Plano Diretor que o prefeito quer aprovar de uma hora para outra sem que o povo sequer o conheça direito.

Primeiro vamos falar do grafiti, pois ele faz parte do espaço urbano da nossa capital, conceito varrido do mapa pelos especuladores que dominam o poder político local distribuindo sacos de moedas a vereadores nativos corruptos que fazem do mandato meio de vida.

A questão é: um prédio antigo deve ser mantido exatamente na sua pintura original ou é possível alterá-la sem comprometer a construção e o que ela significa como registro histórico? Considero um absurdo apagar uma obra de arte. É um crime contra a humanidade. É ridícula a determinação de um órgão público (o IPUF) que obriga a pintar com uma cor morta e sem arte um prédio como o Armazém Vieira, depois que sobre ele foi construída uma obra de arte. Nada será mais belo que o maravilhoso grafiti que lá está. Ele é patrimônio artístico-cultural da comunidade humana. Seria quase como limpar a tela de um Dali só porque alguém acha que o entalhe da sua moldura é mais importante que a tela. Dirão arquitetos que o desenho da fachada, com suas portas e janelas talhadas em madeira ao estilo da época, assim como os detalhes do reboco e as proporções da construção somente se expressam como elemento estético do seu tempo, quando realçados por uma pintura neutra que valoriza cada detalhe. Têm certa razão, mas não toda. No caso, temos uma espécie de simbiose entre duas obras de arte: a arquitetônica – espacial, tridimensional, concreta e estética – e a pintura, ao mesmo tempo concreta e abstrata, emocionalmente mais intervencionista e também de altíssimo valor estético, que atua sobre a primeira.

A arte da segunda metade do século XX (pelo menos o que há de novo nesse período) é marcada pelas grandes ocupações dos espaços públicos, confundindo-se muitas vezes com a arquitetura. Talvez Niemeyer seja a maior expressão desta ideia. É exatamente ao sair dos museus, comumente frequentados por uma pequena parcela da população e tomando as ruas sem pedágio ou ingresso pago, que a arte revela sua veia revolucionária ao tornar-se acessível a todos. O velho Marx já alertava que “a propriedade privada nos fez tão idiotas e passivos que um objeto só se torna nosso se o possuímos, ou seja, se ele existe para nós enquanto capital ou se é usado por nós”. A arte das ruas quebra esta lógica assim como os prédios do nosso grande arquiteto vermelho e assim como o grafiti do Armazém Vieira.

A intensidade do impacto sensorial sobre as pessoas causada pelo prédio do Armazém com e sem o grafiti é incomparável. Pintado com as cores originais é um prédio antigo bonito que causa impressão sensorial, principalmente quando tudo em volta segue padrão meramente funcional e sem graça. Já o belíssimo grafiti sobreposto ao prédio causa emoções muito mais intensas e de outra natureza sobre a alma humana.

Sem Grafiti

O prédio grafitado foi valorizado pelo registro histórico autêntico da cultura de hoje que absorveu o antigo e conectou-o ao presente revitalizando-o. O Armazém Vieira está intacto na sua construção preservando o valor arquitetônico e agregando mais. O exterior foi embelezado pela intervenção artística contemporânea e juntamente com o interior intacto, conserva toda a sua História. A pintura conecta o prédio com uma geração que nasceu expoliada, excluída, mas encontrou formas de resistência criativa no grafiti e no hip hop. Eles não tiveram tempo nem espaço para se preocupar com a diferença entre um prédio antigo ou uma casa velha. Apesar disso conseguem sentir o que significa mudar as coisas quando pintam e deixam a marca de sua classe sobre uma “propriedade” que não podem ter. Uma obra de arte na rua, pode ser apropriada por todos, ao contrário de uma propriedade imobiliária na maior parte das vezes inacessível. Apropriando-se subjetivamente da obra de arte pintada na superfície, o prédio histórico que está embaixo passa a ser respeitado e apropriado também na suas dimensões estética, cultural e revolucionária.

Agora vamos do luxo ao lixo. Não se trata aqui da falácia de atacar o autor para desmerecer a obra, mas de entendermos o mundo em volta para agirmos com mais consequência nas tentativas de transformá-lo. O IPUF, órgão de pseudo controle da ocupação do espaço urbano, personagem deste episódio, é uma fachada a serviço da especulação imobiliária. Ao longo do tempo seu papel tem sido autorizar a destruição de quase todos os prédios históricos da cidade incluindo o quase extinto centro antigo.

Querem cometer qualquer crime contra o patrimônio público em nome do dinheiro? Basta financiar a campanha de alguns vereadores ou deputados que acabam nomeados para o IPUF e resolvem o problema. Casarões belíssimos dão lugar a edifícios de vidro iguais a todos os outros edifícios de vidro. Nem a arquitetura da primeira metade do século XX foi preservada. Crimes bárbaros contra os espaços públicos e a História de Santa Catarina são perpetrados desde sempre por uma burguesia ridícula, provinciana e colonizada que se comporta como uma corte vitoriana, diante da passividade de um povo que se contenta com migalhas, sem noção do que lhe pode ser de direito se lutar por isso.

O caso do Armazém Vieira pode servir de estopim para fazermos a discussão sobre este estupro que o prefeito está cometendo ao empurrar um Plano Diretor sem discussão séria e a toque de caixa.

Qual a pressa? Seus financiadores de campanha estão ansiosos para construir nas dunas? Para derrubar prédios históricos? Para ocupar espaços públicos? Qual a dificuldade de fazer uma discussão séria por seis meses que seja? Um texto legal é cheio de armadilhas que a maioria das pessoas não entende e mesmo os especialistas precisam estudar detalhadamente comparando suas disposições com o mundo real sobre o qual vai gerar efeitos. O prefeito, que é esperto, faz reuniões em que só ouve cidadãos isolados reclamarem do buraco em frente a casa e se faz de surdo quando alguém tenta discutir organização do espaço público sob o prisma dos interesses coletivos das pessoas que vivem nele e não das construtoras que o enxergam como objeto de lucro.

A arte de rua, como o grafiti, não deveria também ser objeto de um Plano diretor sério? Chega de assistirmos passivos às tentativas de estabelecer limites para a arte e para a preservação do meio ambiente enquanto se tenta justificar a destruição da cidade em nome do “desenvolvimento”, como se destruir fosse a única forma de desenvolver.

A arte é intervenção política e é através dela que talvez possamos redimir a humanidade de um destino medíocre. À luta! Pela preservação do grafiti no Armazém Vieira! Pela suspensão da tramitação do Plano Diretor de Florianópolis! Pela defesa e ampliação dos espaços públicos!

O que precisa de limites é a especulação imobiliária, não a arte.  

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32 responses

11 11 2013
Hugo Malagoli

Concordo que a especulação precisa de limites… mas um prédio histórico (poucos que restam) deve ter a sua pintura original preservada… senão vamos grafitar também o palácio cruz e souza… a catedral metropolitana… Grafite é legal sim, mas penso que deveria ser determinado locais pra isso… muros… as pontes colombo salles e pedro ivo…

11 11 2013
Alessandra Deschamps Mendes

Penso que a palavra “especulação” pode ser usada para o outro lado: Grafite é Arte sim, e Patrimônio HISTÓRICO também tem seu valor (inestimável até), logo, a pintura do prédio do Armazém Vieira, ou de qualquer outro nas mesmas condições, deve sim estar dentro do que prevê a lei do patrimônio histórico. Especulação é, tentar desviar o foco da atenção no que tange a perspectiva histórica, para maquiar a intenção de grafitar sobre um imóvel com tal importância arquitetônica na cidade, onde a ação irá alterar características do imóvel, a partir da intervenção. Quero deixar claro que minha opinião é isenta, uma vez que, como Arte-Educadora e Artista Plástica, gosto do Grafite, e ao mesmo tempo, admiro e respeito as construções que formam nosso patrimônio histórico.
Eu sinceramente, espero que o prédio do Armazém Vieira, volte a ter uma pintura equivalente as suas características arquitetônicas.

11 11 2013
Lara

O resultado do Grafiti ficou genial. Mas como tudo que é interessante nessa província logo some, essa ação também desaparecerá, infelizmente.

11 11 2013
Doris

O grafite é muito interessante, mas não concordo em que seja aplicado num prédio histórico. Ele tem essa denominação pelos seus parâmetros da sua época, por isso ele foi classificado como histórico e portanto deve continuar conforme a lei prevê. No mundo todo os prédios são restaurados inclusive com a pintura original ou próxima dela para mostrar a época do seu nascimento para que todos tenham chance de vivenciar esse tempo.História é história e merece ser conservada, preservada.

11 11 2013
Marcelo Barnero

Vou deixar aqui minha opnião como um dos artistas que participou do projeto.
Quando fui convidado estranhei um pouco por ser um predio historico e tombado, mas ao mesmo tempo me senti orgulhoso por poder colocar ali num predio tão importante um pouco da minha arte, mesmo sabendo que o prazo de exposição seria curto. A principio ja sabiamos que a arte so permaneceria por 2 semanas a partir do termino da pintura, sabiamos tambem que isso ia provocar a cidade. A nosso proposito desde o principio foi de realmente provocar a cidade, pois ate entao ninguem dava atenção ao que esta acontecendo com a cidade em geral,
Creio que sim, o predio deve retomar as caracteristicas originais, mas agora estou com a grande vontade de sair grafitando todo casario abandonado que ver pela cidade pra ver se o Ipuf realmente toma alguma atitude de preserva-los ou se essa atitude so ocorre quando o predio pertence a alguma outra pessoa.

Vamos continuar distribuindo arte, cores e alegria por ai,independente de muros, predios e ruinas

11 11 2013
Marcelo Barnero

e o que eu acho mais engraçado, daqui a alguns anos, vão dizer, nesse predio teve obras de grandes artistas que foram cobertas, e quem sabe um dia alguem tente restaurar.

11 11 2013
Alessandra Deschamps Mendes

Marcelo…rs…
Você tem razão em provocar as autoridades quanto ao abandono do casario e vários outros tipos de construção que compõem o patrimônio histórico, eu também penso que o descaso é gritante, e sua ideia de grafitar isso, é sim uma forma de protesto (A Arte tem esse função também); Agora, dizer que, a partir de uma intervenção com data para acabar, se estebeleça um memorial ao conjunto da obra, a ponto de restaurá-la…rs…
Não é pra tanto.
Em qualquer lugar do mundo, construções que fazem parte do patrimônio histórico, são conservadas, respeitadas, e servem de espólio contando a história do seu povo/local/cultura/origens; Não me admira que no Brasil, além do abandono de construções importantes do patrimônio histórico, também se ache “belo” (no sentido estético – filosofia da Arte), a presença de Grafite (Arte Contemporânea) em bases como essa, do casarão do Armazem Vieira.
Veja bem, não me refiro, em momento algum, a questões de “gosto”, estou contemplando a situação, do ponto de vista Estético (filosófico) e Histórico.

11 11 2013
Fernando Teixeira

Como arquiteto, natural do Saco dos Limões, tenho pelo prédio onde funciona o Armazém Vieira um carinho todo especial. Em muitas noites, quando criança, acompanhando meu avô, ouvia histórias fantásticas sobre nossa Ilha, brincando, quase em baixo do balcão, do velho armazém! Apesar de achar lindo o grafite, não o vejo como apropriado para aquele monumento. Como já disse alguém anteriormente, então vamos grafitar todas as outras edificações históricas que ainda restam em nossa cidade! Cada coisa no seu lugar! E ademais, muitos colegas do IPUF não merecem ser achincalhados como foram neste artigo. Sei que se não fosse por eles muito mais já teria vindo abaixo! Ainda bem que eles estão lá, como guardiões quase solitários de nosso frágil patrimônio arquitetônico. Além disso fica evidente que esse artigo é preconceituoso, colocando os ilhéus nativos como culpados por tudo que acontece de ruim nesta cidade! Por favor, vocês que vem outras plagas, procurem entender e respeitar a cultura local, assim como procuramos respeitar o tradicionalismo de vocês!
Fernando Teixeira

11 11 2013
Marcelo

Independente desta pintura ser ou não arte, olhando para a primera foto, o prédio simplesmente sumiu. Não sei a intenção era essa, mas o armazém foi completamente camuflado no paisagem.

11 11 2013
Niemeyer

Vamos começar pelo início… Quem escreveu isso? Não vi fusão nenhuma entre a arquitetura e o grafiti, não tem contexto e não tem história essa pintura. E não curti como ficou! … mas minha opinião é lixo to ligado!

o cara escreveu uma salada (miscelânea) sem nexo, desenterro o Niemeyer, e nem pra assinar o que escreveu …Gostaria de falar isso pra ele mas não sei quem é

11 11 2013
Niemeyer

“A intensidade do impacto sensorial sobre as pessoas causada pelo prédio do Armazém com e sem o grafiti é incomparável” …. foi o Imetro que mediu isso?? impacto positivo ou negativo? Chessus .. quanta viagem!

11 11 2013
Niemeyer

“Pintado com as cores originais é um prédio antigo bonito que causa impressão sensorial, principalmente quando tudo em volta segue padrão meramente funcional e sem graça. Já o belíssimo grafiti sobreposto ao prédio causa emoções muito mais intensas e de outra natureza sobre a alma humana.”

Isso não é o que eu penso, quem disse que é belíssimo? qual a escala de beleza tu usou? oque é belo pra mim você sabe?

11 11 2013
caioteixeira

Já está falando. O texto foi publicado no meu Blog com identificação e endereço. Exatamente onde está sendo publicada agora sua opinião.

11 11 2013
Niemeyer

Hip Hop é uma palavra que nunca fará sentido em estar no mesmo texto que fala sobre o Armazém Vieira.

11 11 2013
Vicente Borges

Quem entrou no blog e leu, mas não sabe quem escreveu é porque sequer prestou a devida atenção. O nome está no alto da página, nomeando o autor e o blog. Bem, tenho a certeza, com manezinho da Ilha, que a intervenção atingiu seu objetivo, incomodou e chamou atenção!!! Se é arte ou não, vai do olhar de cada um, mas que provocou uma excelente discussão sobre os desmandos que assolam a Ilha, provocou. Esse trololó que li em muitos posts só me leva a crer que um dos motivos da cidade ter se transformado, e continua se transformando, em uma ilha de concreto é a passividade do povo, o qual não se omite do processo (é só ver quantos comparecem para discutir o plano diretor no seu bairro ou na reunião da associação) e, por conveniência ou comodismo, elege e reelege políticos com índoles e dívidas de campanha. Claro que podemos destacar ótimos políticos que dialogam com os moradores que os elegeram, conheço alguns e, portanto, a população deveria identifica-los e exaltá-los como exemplos de luta solitária, assim como os poucos arquitetos do IPUF que travam a mesma luta.
Florianópolis está a cara do Brasil, com ilhas dentro da ilha. Minoria rica determinando o que a maioria pobre deve fazer, aceitar e pagar. Parabéns ao Gaúcho que com coragem divulgou seu ponto de vista a nossa Ilha, a minha Florianópolis.

11 11 2013
Marcelo Barnero

Alessandra o lance da restauração daqui uns anos foi so mais uma provocação rs, como disse antes, ja sabia que seria coberto depois e sempre apreciei o armazem vieira com sua construção e pintura original.

E tenho certeza que depois de tudo isso, o patrimonio historico tera muito mais atenção do publico geral e não somente das autoridades e dos especuladores.

A ilha é um pote de ouro pra alguns que veem nela o final do arco iris e não se importam com o que pode acontecer com ela cada vez mais casas, predios e sem estrutura pra aguentar tudo.

E ainda acho que deveriamos fazer um mutirão e recuperar os casarios que estão caindo aos pedaços, por ai, com apoio da prefeitura e ipuf.
Vi muita gente defendendo , falando , criticando, mas preferia ver essas pessoas agindo com pinceis na mão e cuidando sim, mas fora no mundo virtual

11 11 2013
Jeová

Quando cheguei ao termo “nativo” parei de ler o texto na hora.

É só mais um gaúcho usando seu típico recalque… Nada de novo no reino da ilha da magia.

Se todos os vereadores de Floripa fossem gaúchos, com certeza teríamos uma cidade melhor, já que não existe corrupção no RS… blablabla recalque blablabla recalque…

Balela. Sobre o grafite: deusolivre oooo. Coisa medonha!

11 11 2013
Fernando Teixeira

Tacada de mestre do pessoal do marketing do Armazém Vieira! O local andava meio caidinho. Poucos estavam falando sobre ele! E agora, com toda essa repercussão produzida pela mídia, muitos vão querer conhecê-lo! Ou voltar até lá!

11 11 2013
Marcelo

Na boa, esse grafite está feio DEMAIS! Sério cara, nada contra o grafite, mas a arte de rua cai muito melhor em outros ambientes, é uma baita poluição visual aquele monte de desenhos toscos em uma obra histórica tão linda como o armazém vieira. No momento que olhei a foto sem um grafite me deu uma sensação de alívio.

11 11 2013
Alessandra Deschamps Mendes

Eu sou cliente do Armazém, não é de agora… e não tenho ilusões, penso que isso foi sim uma boa estratégia de marketing, e ajudou a levantar a discussão dos abandonos do patrimônio histórico;
Agora, não vamos tornar maior, algo que não é:
A questão não é política, não é imobiliária, não é de desvalorização da Arte, nem tampouco supervalorização do patrimônio, é apenas e tão somente, a lei pedindo: Faça-se a recuperação do imóvel, segundo regra do patrimônio. Simples assim.

11 11 2013
Carlos

Na boa.. Comparar esse grafite com obra de Dali e o Armazem Vieira com
uma moldura para ele, é minar a Causa. Gosto de Grafite e admiro o Patrimônio Histórico. Acerta o Armazem em mesclar temporadas entre grafiteiros e tradicionalistas em prol de seu movimento comercial.
Quanto ao Plano Diretor, me parece bem mais importante a discussão.

11 11 2013
Pedro S.

Como Um pesquisador do patrimônio histórico, em especial do patrimônio catarinense, preciso manifestar minha opinião uma vez que esta vem consumindo meus dias e noites. Compreendo o que foi tentado realizar, porém ao ser tombado o local passa a ser simbolo histórico, ou melhor dizendo um espaço de memória, e esta previsto por lei, acho a atenção aqui para a constituição de 1988 que é nossa última e na qual o patrimônio histórico teve uma grande mudança ao aceitar as questões imateriais e ao IPHAN, que garante aos bens tombados ou registrados uma proteção especifica para cada caso. Os bens tombados (materiais) precisam ser cuidados e “restaurados” de tempos em tempos, sem que se altere sua estrutura e principalmente sua caracterização, neste caso o armazém feriu a lei e com isso já perdeu totalmente meu respeito, anteriormente o fato do grafiti neste local de memória já o havia reduzido pela metade.

Concordo nesta questão do patrimônio cultural estar meio que apagado, pesquiso e sei disso, principalmente (em minha visão) pela falta de historiadores neste campo, os arquitetos tem certo preconceito com estes, porém não é “atacando” um bem que isso irá se modificar! Deve-se realizar projetos de educação patrimonial, principalmente em escolas, para que isso mude e não ataca-los, a memória destes espaços, mesmo ligados a uma parte determinada dos grupos que formaram aquele espaço precisa ser RESPEITADA e trabalhada.

Acho que este grafiti deve ser removido imediatamente e o armazém sofrer um processo como prevê a lei, é ridículo atacar uma parte da história catarinense utilizando isso como estrategia de marketing.

AO dono do blog que fez diversas referencias sem sentido uma dica, não é por você ser comunista e provavelmente gostar de marx que precisa enfiar ele em qualquer texto e espero que entenda que um comunista ou anarquista que utiliza destes meios em minha visão não é um anarquista como se pensa na visão utópica que não pode ser aplicada.

12 11 2013
Elika

Na minha primeira impressão a aparência do Armazém Vieira virou a de um parque de diversões onde desenhos sem conexão ou mensagem alguma clamam por apenas chamar a atenção para si mesmos em vez de ressaltar qualquer arquitetura ou história nesse espaço. Ainda é uma expressão adolescente (genuína) mais não matura como corresponderia ser realizado neste edifício, símbolo dos tempos… Existem grafites e grafites…Estes desenhos ainda sem nexo e de estridentes cores que também não se comunicam bem entre si não contam nada ao meu ver a população. Arte não é apenas a expressão revoltada de um indivíduo largando esta ao visual cotidiano de quem passe andando na sua calçada…, ainda que sua revolta seja genuína.. A arte faz repensar ás questões, senti-las diferente, aproximar-se a contextos, tempos, sonhos, emoções, mais permitem a liberdade do admirador envolver-se com ela e acontecer o que tiver que acontecer na sua percepção… Neste casso se há intentado uma arte conduzida a um resultado (apenas chamar a atenção) pelo impacto. E isto para min acaba com qualquer arte…como acabou com a arte genuína deste edifício que atravessou os tempos… Não há limites para a Arte, com certeza… Mais neste casso se for isto um protesto, um chamado aos políticos, a especulação imobiliária, a quantas coisas aqui se citaram então… porque não está tudo isto aqui expresso no imaginário da pintura? Eu vejo baleias, figuras femininas, árvores, tudo muito colorido e “alegre”. Onde está essa tal de revolta?Onde estão todos estes temas e emoções? Se a política do grafiteiro agora é pintar o que não presta para chamar a atenção (ruínas, edifícios públicos ou o que considera convencional) sugiro repensar o que seria agir como um transformador social em vez de perpetuar-se com um estado de insatisfação adolescente… Se for um marketing do Armazém (“chamar a atenção”) eu pergunto… A memoria instaurada no prédio precisava ser apagada para chamar a atenção?
Elika

12 11 2013
Rodolfo Casalá

Parabéns ao Sr. Renato pela iniciativa achei fantástica. Agora…. o Sr. Caio já leu e estudou o Plano Diretor…estou a quase 20 anos nessa ilha que escolhi para ser a minha segunda pátria e ninguém tem coragem de aprovar Plano Diretor nenhum acho que essa expressão de arte nada tem a ver com Prefeito ou governo municipal e tal (Vc. Já perguntou a ele o que achou a respeito?) Acho muita falta de assunto aproveitar essa onda por causa da arte para atacar um governo que mal começou e que desde meu ponto de vista está resgatando a cidade muito lentamente sim, mais resgatando em fim. Deixa os cara trabalhar né. Será que fui o único que entendeu o Graffiti e este artículo…vejo na maioria dos comentários uma caretice que achava tinha diminuído mais estou vendo que estou enganado e com disseram ta na hora de pegar o pincel e resgatar os Casarios que estão caindo aos pedaços e os donos não dão a devida importância esperando pelo poder público ao qual depois vão criticar e muito comodismo mesmo no texto e nos comentários… mais ainda assim continuo acreditando em Floripa!!

12 11 2013
caioteixeira

Dirijo-me a todos os que aqui opinaram até agora para cumprimentá-los pelo excelente debate que vem sendo travado a partir de uma provocação (ou varias) que fiz. Não acredito em verdades prontas ou definitivas. Acredito na dialética como método de construção do conhecimento e as intervenções aqui feitas são uma prova de que é possível. Acredito na política como debate honesto de ideias e estabelecimento de correlações de força saudáveis a partir delas. Política não pode ser tratada como torcidas de futebol. Se perceberem bem, inúmeras questões essenciais para uma vida ativa na sociedade foram tratadas no debate, como papel do poder público, papel dos servidores públicos (no caso arquitetos do IPUF), preservação da cultura, política, corrupção, sistema eleitoral, arte enquanto criação estética, arte enquanto intervenção política. Na verdade ao ingressarmos no debate sobre o grafiti do Armazém Vieira nos lançamos, cada um, a fazer política como ela deve ser feita: contrapondo nossas opiniões na busca de uma conclusão sobre o que pode ser bom para nossa cidade. Nenhuma das opiniões está completa a começar pelo meu artigo que provocou a questão, mas todas se completam e delas quem sabe possa surgir uma resposta, uma luta pela preservação da cidade que escolhemos para viver. O debate precisa continuar, além da internet.

12 11 2013
analuciacoutinho

Não sou contrária ao grafite, mas naquelas paredes não dá para acreditar. Diante do ocorrido, considero um desrespeito a todos que trabalham na salvaguarda do patrimônio material desse país e, muito especialmente, na nossa querida capital.

13 11 2013
Rosiani

O grafiti pode até ser bonito, mas não no Armazem Vieira. Olhando as duas fotos, a construção é muito mais bonita e imponente sem o grafiti. Com o grafiti, parece um borrão, não se vê mais a casa, apagou totalmente. Visualmente não rolou. prefiro mil vezes a pintura original.

13 11 2013
Jerusa

Não gostei da intervenção mas aprovo a provocação pela reflexão. É muito triste ver a derrubada de casarios antigos para dar lugar a prédios modernos e estilosos, assim como se vê tantos casarios ainda de pé, mas intencionalmente sem cobertura para expor à ação das chuvas as paredes, que assim apodrecerão e cairão “sozinhas”.
Quanto ao governo municipal, não tenho dúvidas que este como os outros antes deste e os próximos, cedem e continuarão cedendo aos interesses pessoais e financeiros de seus financiadores de campanha.
E assim caminha a humanidade… Muito frustrante.
Quanto a idéia de fazer intervenções em prédios históricos vítimas de abandono, acho brilhante, e apóio. Me convida.

13 11 2013
Newton Dorneles

Achei o grafite legal, mas não aprovo o local escolhido. O texto acima é completamente unilateral e tendencioso quando afirma seus pontos de vista. Acho que patrimônios históricos devem ter suas características originais preservadas.

13 11 2013
pedro

Pior que essa pintura, é só olhar os duas fotos, só a faixa de ciclista pintada pela prefeitura em frente ao armazém vieira, vamos multar a prefeitura, segunda dia 18 vamos fechar a Edu Vieira..

13 11 2013
Rodolfo

A partir do momento que se trata de uma provocação acho válido, inteligente e de fato impressionou. Contudo o autor deste texto confunde diversos conceitos e apresenta argumentos escandalosamente falhos quando fala da criação de arte sobre a arte. Prezado autor do texto, o que chocou não foi o grafite sobre um prédio histórico, até porquê ficou irreconhecível e não parece em nada com um patrimônio arquitetônico, o que chocou foi que todos conhecem o prédio e o admiram e ficaram barbarizados com a atitude de grafitar o mesmo. Consegue entender a diferença? Sob sua ótica pretenso-intelectualoide criou-se arte que tocou as pessoas, posso lhe garantir que se pixar o teto da Capela Sixtina ou Las Majas de Goya posso lhe garantir que as pessoas vão se horrorizar muito mais…,

14 11 2013
Elika

E se vamos todos tomar um café de graça no Vieira? No final este conseguiu o marketing que queria… Elika

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