Quando a mídia decide o que devemos pensar, vivemos a ditadura da mídia

23 04 2013

(charge do grande Latuff)

O último artigo publicado neste blog no qual tratei da Democracia na Venezuela provocou a intervenção de um qualificado leitor. Questionou-me ele em relação às notícias de que Chavez havia mantido uma guerra contra a mídia privada venezuelana citando como exemplo “o enfrentamento constante com os canais de televisão Venevisión, Globovisión e RCTV (que inclusive teve o pedido de renovação de concessão negado)”. Afinal, indaga ele, Chavez foi mocinho ou bandido? Ou foi apenas mais um político que viveu acreditando em suas verdades, como todos nós “normais”?

São dúvidas comuns que assaltam corações e mentes a partir das informações circulantes em nossa mídia, travestidas de jornalismo.

As indagações me levaram de imediato a escrever o que reproduzo a seguir.

Em primeiro lugar, convém observar que todas essas notícias foram divulgadas pela mídia privada brasileira e internacional, portanto defendendo seus interesses.

Sobre a mídia, é preciso registrar também que, de acordo com a Constituição brasileira e também a venezuelana, o espectro eletromagnético (sinais de rádio e TV) pertence ao Estado e pode ser explorado por empresas privadas ou públicas mediante concessões (de 15 anos no caso brasieiro) com consequentes obrigações legais e constitucionais, dentre elas, a proibição de conspirar contra o sistema democrático. As concessões podem ser, portanto, renovadas ou não. Porque então a gritaria quando uma delas não é renovada em razão de ter descumprido suas obrigações constitucionais?

A rede de televisão venezuelana em questão, conspirou ativamente, em 2002, junto com outros grandes empresários e um general, segundo consta comprado pela CIA, para destituir à força um presidente legalmente eleito de acordo com as regras democráticas. A primeira coisa que fez o presidente golpista no seu efêmero exercício foi revogar a Constituição. O presidente deposto entretanto, não era apenas legalmente eleito, mas ocupava o poder com legitimidade, tanto que o golpe não passou de dois dias pois o povo em verdadeira avalanche saiu às ruas para rejeitar a usurpação do Poder por um grupelho de milionários, um governo estrangeiro e uma rede de televisão.

Nos 12 anos da chamada Revolução Bolivariana, com Chávez à frente, o povo foi convocado a decidir diretamente em 17 oportunidades, incluindo três eleições presidenciais, eleição de uma constituinte, eleição de novo legislativo após a constituinte, eleições para governadores, prefeitos e até um referendo revogatório do mandato do presidente vencido por Chávez. Lá se faz plebiscito para decisões importantes e as eleições não são coincidentes de modo que pelo menos uma vez por ano o povo tem chance de mudar. O voto é facultativo, mas o comparecimento às urnas não baixa de 80%, mais do que no Brasil onde é obrigatório. Lá se fez plebiscito para aprovar a Constituição que reestatizou o petróleo, por exemplo.

No Brasil fizemos dois plebiscitos ridículos, um para decidir se voltaríamos à monarquia e outro para “desarmar” pessoas com armas registradas, nome e endereço, como se bandidos precisassem de autorização para comprá-las.

Aqui se entregou a maior reserva de ferro do mundo a empresários privados estrangeiros (ainda que com testa de ferro brasileiro) sem sequer consulta ao Congresso. Leia-se a Privataria Tucana onde constam todos os dados e documentos da entrega do patrimônio público por PSDB e PFL(DEM) com apoio do PMDB e outros de sempre que continuam livres e atuantes. No momento presenciamos uma campanha dos meios de comunicação para privatizar a Petrobrás e todo o petróleo recém descoberto do pré-sal. Que respeito merecem estes meios de comunicação? A serviço de quem operam? Certamente não do povo nem dos interesses nacionais.

De que adianta festejarmos uma Constituição com dispositivos avançados se na primeira tentativa de colocá-los em prática a mídia grita e os revoga tacitamente? Se alguém falar em não renovação de concessões de rádio e TV o que é legal e constitucional, o mundo vem abaixo como se tal ato fosse proibido e antidemocrático.

Afinal, o que está escrito na Constituição é para ser cumprido ou só para mostrar para os outros? No Brasil, onde a propriedade de emissoras de rádio e TV só é permitida a pessoas fïsicas em empresas limitadas, a esmagadora maioria desses meios de comunicação é propriedade de 7 famílias milionárias que através deles defende seus interesses de famílias milionárias.  Será democrático que 7 famílias tenham poder ilimitado de exercer seu direito a liberdade de expressão e todos os demais cidadãos comuns não consigam jamais concretizar esse direito para si?

Os meios de comunicação social não podem direta ou indiretamente ser objeto de monopólio ou oligopólio, diz o parágrafo 5º do artigo 220 da Constituição brasileira, mas se algum dos poderes do Estado tentar aplicar esta regra, será imediatamente acusado de Ditadura pelos meios de comunicação.

É democrático que essas 7 famílias decidam o que se pode aplicar da Constituição e o que não se pode, atropelando até mesmo a competência do Judiciário e demais poderes constituidos? Condenar os corruptos do PT pode, mas anular a reforma da previdência comprovadamente aprovada por fraude não pode. Regulamentar greves de servidores para restringí-las pode, mas regulamentar a propriedade dos meios de comunicação, ou anular as privatizações fraudulentas e lesivas ao patrimônio público, nem pensar. É verdade que um juiz de primeira instância tem liberdade de decidir conforme sua consciência, mas os ministros do STF, do TST ou do STJ tem a mesma liberdade? É muito mais fácil controlar algumas dezenas de juízes de tribunais superiores do que a ampla maioria que ingressa na magistratura por concurso. O controle dos de cima, como estamos carecas de saber, se dá tanto pela forma de nomeação, quanto pela pressão midiática ou talvez uma combinação das duas.

Na Venezuela há liberdade de expressão, de imprensa e de empresa. O que não há hipocrisia como aqui onde se defende uma improvável imparcialidade da imprensa mas não se a pratica. As sete famílias são defensoras aos quatro ventos da “liberdade de imprensa” que significa a liberdade delas sete e somente elas dizerem o que pensam. Nem ao menos concorrência admitem pois quando se fala em investir em sistema público de comunicação, imediatamente vem os ataques dizendo que é desperdício de dinheiro público, etc. Dinheiro público que deve ser desperdiçado para engordar seus lucros. Só a Globo recebeu RS 5,86 bilhões em verbas públicas desde o ano 2000, a maior parte nos governos do PT, portanto.

Na Venezuela, as quatro grandes redes privadas de televisão, rádios e jornais que perfazem algo em torno de 85% da audiência nacional, são escancaradamente parciais, anti-governo e defendem abertamente os candidatos da direita, além de conclamarem o povo a se posicionar contra o governo. Em campanhas eleitorais a mídia privada faz campanha exclusiva para a direita e seus candidatos 24 horas por dia. O candidato do governo não aparece. Os comícios de Capriles são transmitidos ao vivo, os do candidato governista não são sequer citados. Tudo é permitido e aceito. Se isso não é liberdade de expressão e de imprensa, o que será?

Em contraponto a elas, uma rede estatal de televisão com 15% da audiência aferida pelas auditorias privadas, defende o governo. É justo? Numa primeira olhada, nós brasileiros estranhamos uma televisão estatal defendendo o governo, mas quando vemos que todas as outras privadas em número e audiência muito maior defendem a oposição, percebemos que é mais do que justo. Os campos ideológicos estão definidos claramente sem hipocrisia. Lá não se fala em falsa imparcialidade. Lá cada um defende o que pensa. É uma batalha de ideias explícita, identificada, assinada, com nome e endereço. E as armas da mídia privada são infinitamente maiores.

Chávez foi um presidente que defendeu suas ideias abertamente, foi eleito pela maioria e não traiu em nenhum momento nem as ideias, nem os eleitores. Por isso a Revolução Bolivariana tem apoio real, legítimo, explícito e consciente da maioria. Não da totalidade, mas daquela maioria que estamos acostumados a nunca ver no poder embora repitamos com a mão no peito que Democracia é o desejo da maioria. Claro que não é um governo perfeito. Muitas coisas precisam ser resolvidas, como a questão cambial e a necessidade de industrialização, mas a saúde, a moradia, a educação, vão infinitamente melhor que no país das sete famílias. O dinheiro que aqui se usa para alimentar os lucros dos ricos como os bilhões para a mídia, os juros altos e o saco sem fundo do BNDES a fazer novas fortunas todos os dias, lá é usado para atender as necessidades da população que não tem dinheiro. É claro que todos aqueles que antes tinham sua riqueza garantida pelos cofres públicos e agora não tem mais, gritam, esperneiam e chamam de ditadura com todas as suas forças e altofalantes amplificados por seus pares nos demais paises, loucos de medo que a coisa se espalhe. Por enquanto Chávez foi a figura política mais importante do século XXI. Alguém tem outro candidato ao título? Tomara que venham outros.

Gracias ao leitor pela provocação que me fez escrever mais.





Maioria no Poder e serenidade política. Não diziam que isso era Democracia?

19 04 2013

Campanha MaduroFoto: Joka Madruga/ComunicaSul

As farsas vão caindo na República Bolivariana. Resta em pé a comprovação da maturidade política do povo e de suas sólidas instituições democráticas. A Venezuela é um pais sério com uma Constituição feita por uma constituinte eleita exclusivamente para este fim e que se dissolveu logo após a promulgação, como os demais poderes. De Chavez, presidente com apenas um ano de mandato,  ao último parlamentar, todos encerraram seus mandatos oriundos da velha ordem jurídica, para submerter-se ao voto do povo diante da nova ordem. Passar a ideia de que a Venezuela é uma  republiqueta sem lei controlada por um ditador, como criminosamente pinta a midia golpista internacional e seus colunistas amestrados é um crime contra a verdade contra a Democracia e contra o jornalismo. Lá, como aqui, e aliás, como em qualquer país que tenha uma ordem jurídica democrática, o Judiciário só age quando provocado a fazê-lo por um pedido formal de algum cidadão. Qualquer imbecil sabe disso e Capriles não é um imbecil. É um membro da classe rica que antes de Chávez controlava o Petróleo e vivia como príncipes árabes. Fazem parte dessa classe todos os meios de comunicação privados que cerram fileiras para recuperar os privilégios que perderam.

No domingo, após o anúncio de sua derrota, o candiado dessa classe “requereu” diante das câmeras e microfones uma recontagem dos votos, direito que qualquer cidadão venezuelano tem assegurado pela Constituição. Nada de mais. Todos sabem que basta requerimento formal ao Conselho Nacional Eleitoral justificando seu pedido e o terá apreciado segundo a lei. Todos conhecem a lei. Na Venezuela vendem-se exemplares da Constituição nas bancas de revista. Todo cidadão tem uma para usar seus direitos e todos sabem ler. A Venezuela foi declarada pela ONU país sem analfabetos, durante os governos Chávez.  Um passo importante para a concretização de uma Democracia. Ou não? Certamente há quem prefira analfabetos.  Capriles não peticionou no CNE, só pela sua imprensa. Embora não tivesse nenhum pedido para apreciar, a Mídia passou a idéia de que o CNE descumprindo as leis negava-se a recontar porque era controlado por chavistas.

Capriles e os seus apostavam em usar o poder da mídia para gerar confusão, colocar em dúvida o processo eleitoral venezuelano e criar num clima de confronto violento nas ruas, como estão fazendo na Síria. Cenário para mais uma” intervenção internacional” dos xerifes da democracia viciados em petróleo.

Depois de dois dias de violência incentivada pelo candidato da direita e após o endurecimento dos poderes constituidos que defenderam a Constituição, finalmente na quarta-feira, Capriles protocolou o pedido formal no CNE que foi prontamente apreciado e atendido no dia seguinte determinando a recontagem. Vale um pouco de comparação com o Brasil que ninguém duvida ser uma “Democracia”. A Constituição venezuelana é tão democratica que 100% das suas urnas são eletrônicas e melhores que as brasileiras. Lá todas elas tem identificação do eleitor pela impressão digital. Mais democrático que no Brasil, a urna imprime o voto do eleitor assim que aperta o botão de votar para conferir se foi registrado de acordo com sua vontade. Melhor que no Brasil também, ele deposita este voto numa urna física, de modo que torna possível uma recontagem. No Brasil não há possibilidade de recontagem porque todos acham desnecessário. Na Venezuela, ainda, 54% das urnas físicas são escolhidas por sorteio no momento do encerramento da votação, em cada seção eleitoral e é feita a contagem com a participação de fiscais de todos os candidatos que estiverem presentes. Faz parte do processo de auditagens que torna o sistema um dos mais seguros do mundo senão o mais. Os outros 46% também podem ser contados, desde que algum cidadão no gozo dos seus direitos o requeira. Se isto não é uma Democracia, o que seria, então? Como classificaríamos o Brasil cujo sistema eleitoral não permite recontagem? Como classificaríamos os EUA, uma bagunça onde cada estado decide as regras de cada eleição permitindo fraudes descaradas como a ocorrida na Flórida (que usa voto de papel) na reeleição roubada de Bush?

A Revolução Bolivariana seguirá na Venezuela porque Maduro venceu por menos de 2% dos votos, praticamente a mesma diferença com que se reelegeu Obama há poucos meses, na autoproclamada maior Democracia do Mundo, sem que ouvíssemos protestos de ninguém. Aliás, a mesma diferença com que Capriles se elegeu governador em dezembro passado, sem que ninguém pedisse recontagem ou o acusasse de golpe.

A Revolução Bolivariana seguirá, porque a metade dos venezuelanos que a constroem cotidianamente e garantiram a vitória de Maduro, não aceitaram as provocações da direita venezuelana, submissa aos EUA, e evitaram que a Venezuela se transformasse numa praça de guerra como era o desejo de Capriles, da Mídia e dos EUA, de olho numa das maiores reservas de petróleo do mundo.

Os votos serão recontados, como não foram na Flórida “democrática” e comprovarão o resultado do voto eletrônico. Não porque serão manipulados, mas exatamente porque o sistema não permite manipulação. Por enquanto,  a tentativa de golpe midiático fracassou de novo porque  a Venezuela é uma Nação soberana e democrática onde a maioria governa.

Parece que este era o conceito de Democracia, não era mesmo?





Direita, EUA e mídia articulam juntos nova tentativa de golpe na Venezuela

16 04 2013

foto invasão Telesur

A mesma mídia corrupta, como chama Rafael Correa, que se diz defensora da “Liberdade de Imprensa”, se apressa a usar a liberdade que tem para semear a violencia e insuflar golpes de Estado.

Ontem, grupos ligados ao ex-candidato presidencial antichavista Henrique Capriles cercaram a sede do canal de televisão teleSUR e ameaçaram seus trabalhadores.  Segundo a presidente do canal, Patricia Villegas: “Ameaçaram nosso pessoal, os trabalhadores do canal estão em seus locais de trabalho (…) ameaçaram de maneira permanente”.

No mesmo momento manifestantes pró Capriles, insuflados pelas redes de televisão privadas, lideradas pela Globovisión, também investiram contra o canal Estatal “Venezolana de Televisión”, a VTV. “Não se sabe se são as mesmas pessoas, mas com certeza respondem ao mesmo movimento político que tem chamado a desestabilização”, afirmou Villegas. Mesmo assim,  acrescentou, “toda a nossa equipe jornalística se mantém aqui funcionando, nossos repórteres se encontram nos arredores da cidade de Caracas”,.

Também foram atacadas as casas da presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, e dos pais do ex-ministro de Comunicação e Informação e membro do comando de campanha de Hugo Chavez, Andrés Izarra.

O correspondente da Telesur, William Parra, informou do noroeste de Caracas que um grande setor de seguidores de Hugo Chaves veio proteger a casa do chefe da campanha, Jorge Rodrigues, cuja residência também foi atacada. “A única coisa que temos a dizer a esse candidato facista é que não se equivoque porque aqui há um povo bravo e guerreiro, esta pátria se respeita (…) que não se engane Caprilles”, disse uma seguidora do presidente Chávez às câmeras da teleSUR.

O roteiro é por demais conhecido. É o que os EUA costumam usar sempre para desestabilizar países que resistem ao seu domínio. Foi assim no Iraque onde até hoje não se encontrou armas químicas, foi assim na Líbia, para derrubar Kadafi, está sendo assim na Síria. Insuflam revoltas, fornecem terroristas mercenários e armas militares, criam uma insurreição e colocam um governo capacho e confiável. E tomam conta do Petróleo. Ou algum idiota acredita que eles estão preocupados com Democracia?

A liberdade de imprensa é tão grande na Venezuela que os canais privados fazem campanha aberta, exclusiva e ilimitada para o candidato da direita. Só Capriles e seus comícios aparece nos canais privados, liderados pela Globovisión (coincidência de nome?), mesmo durante a campanha eleitoral. A luta é desigual. Apenas a televisão pública divulga informações sobre o governo e o candidato da situação e transmite seus comícios. Mas lá também existem as redes de comunicação públicas e comunitárias incentivadas pela Lei de Meios de Comunicação como um direito da população. Estas redes, compostas de rádios, televisões e até jornais, fazem o contraponto com o discurso de classe, golpista. É claro que seu poder de fogo é infinitamente menor que as redes privadas, mas são um espaço de comunicação popular que, em momentos como este se tornam referência de informação diferenciada.

São esses veículos de comunicação popular e pública que estão sendo atacados como alvo preferencial por simpatizantes do candidato da direita e com total apoio dos meios de comunicação privados envolvidos mais uma vez até o pescoço com outra tentativa de golpe. Esta é a liberdade de imprensa que eles verdadeiramente defendem. Liberdade para eles e mordaça para para os adversários.

Todos os observadores internacionais garantem que o sistema eleitoral da Venezuela é um dos mais seguros do mundo. Assim afirma a UNASUL, a missão do Mercosul e até mesmo a Fundação Carter, para quem prefere opinião ianque. Estive na Venezuela em outubro passado com o ComunicaSul, cobrindo a eleição de Chávez e garanto que até a oposição confia no sistema eleitoral. Entrevistamos gente nas filas de votação, tanto em redutos chavistas como em regiões que apoiam majoritariamente o candidato de oposição e todos foram unânimes em confirmar a confiança no sistema eleitoral e no voto eletrônico. São tantas auditagens no sistema que fica impossível passar alguma fraude. As auditagens contam com representantes de todos os candidatos e seus peritos técnicos, com total acesso ao sistema. Até mesmo o representante da oposição no Conselho Nacional Eleitoral afirmou ontem perante as câmeras da Globovisión que o sistema não pode ser fraudado e deve ser respeitado. Foi tirado do ar na hora, é verdade, mas já tinha falado. Liberdade de Imprensa de golpistas é assim.

Incendio em comitê chavista

A Procuradora Geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, chefe do Ministério Público, que lá é um dos Poderes de Estado, com o mesmo status do Judiciário, condenou as ações violentas de opositores, pois “estão atentando contra serviços públicos e pessoas”. Ela informou que o MP iniciou investigações e  135 pessoas já foram presas pelos atos de violência dos últimos dias e assegurou que a Procuradoria tomará as medidas necessárias para garantir a paz para os venezuelanos.

“Se o Ministério Público comprovar que desestabilizadores se articularam para atuar vamos enquadrá-los em “associação para a delinquência” prevista na lei contra a delinquência organizada e vamos solicitar a indisponibilidade dos bens dessas pessoas e o congelamento de suas contas bancárias” afimou a procuradora.

A Venezuela é um país com sólidas instituições, fruto de uma Assembléia Constituinte eleita ainda sob as leis dos governos anteriores que hoje tentam um golpe mais uma vez. Sua carta é avançadíssima com instrumentos democráticos que políticos brasileiros morrem de medo de implantar aqui, como o plebiscito revogatório de mandatos. Todos os eleitos na Venezuela estão sujeitos à cassação de seus mandatos por plebiscito popular oficial bastando a assinatura de 20% dos eleitores daquela eleição. Vale desde vereador até presidente da República. Chávez já teve que se submeter a um desses e o fez democraticamente. Qualquer tentativa de convencer as pessoas que a Venezuela é uma republiqueta sem lei, além de crime de imprensa, é crime contra a verdade.





O ministro, o respeito e o Poder

12 04 2013

 

 
 

Por Paula Emília Moura Aragão de Sousa Brasil,
juíza federal no Ceará.

Há cerca de 10 anos atrás, quando me preparava para fazer a foto para a galeria dos juízes federais da Seção Judiciária do Ceará, ouvi do fotógrafo, enquanto eu tentava arrumar meu cabelo: “Não se preocupe, doutora! A máquina vai registrar a alma.” E assim, pus-me em posição para o registro fotográfico.

Revendo a imagem, depois de tanto tempo, vejo que a minha alegria naquele momento, aliada ao sonho de fazer justiça no meu país, deixaram minha aparência realmente mais bonita.

Não costumo me apresentar aos demais recitando minha profissão. Não acho relevante nas apresentações. Mas, hoje, permito-me relembrar tantas vidas que cruzaram a minha, em razão deste meu mister. Permito-me também o registro de que me restou, muitas vezes, desses momentos, o gosto bom de saber que tenho feito alguma diferença, por pequena que seja, para amenizar o sofrimento e a angústia de vidas cansadas e sofridas de tanta miséria, desigualdade e abandono. Por isso e por mais alguns pares de razões, devo confessar que me orgulho muito de ser juíza federal.

Faço essa confissão para dizer que, segunda-feira passada (8-abr-2013), amargurou-me o episódio divulgado em rede nacional, em que o presidente do Supremo Tribunal Federal, em atitude de extrema agressividade e deselegância, destrata publicamente um magistrado consigo reunido, aliás mais de um, muito mais de um…

Pudesse eu dialogar com o aludido ministro, far-lhe-ia meu desabafo, falando baixinho para não constrangê-lo e bem devagar para ter tempo de pensar antes de proferir minhas palavras.

Começaria dizendo:

– Ministro, Vossa Excelência, que é um homem de imensa bagagem intelectual, multiplamente pós-graduado, integrante da mais alta Corte do país, que preza a imagem de homem honesto e independente, recorda a estória do moleiro de Sans-Souci, certamente conhecida por Vossa Excelência, que inclusive estudou na Alemanha?

Então, eu continuaria:

– Excelência, essa estória cala-me fundamente, pois se trata de um episódio em que o homem simples do povo, demonstra fé genuína na magistratura de seu país. O moleiro, diante do Rei Frederico II, nega-se a entregar sua casa, o chão das sucessivas gerações de sua família; e às ameaças reais de esbulho, retruca afirmando ao Rei, que sua casa está resguardada, pois ainda há juízes em Berlim.

Senhor ministro, com todo respeito, apesar do constrangimento que foi para mim assistir ao presidente do STF desrespeitar escandalosamente um juiz, na frente de jornalistas, encontrei alento na resposta do meu colega juiz, Dr. Ivanir César Ireno Jr., porque nos fez lembrar, a todos nós, que ainda há juízes no Brasil.

Juízes, como eu, excelência, trabalhadores, honestos, que abraçam a causa da justiça, que batalham todos os dias contra uma avalanche de demandas que nos batem às portas, expressivas do clamor de uma sociedade, democrática sim, mas sofrida, desesperançada e abandonada por muitos de seus governantes.

Juízes, como eu, excelência, que deixam a família em casa e vão para o fórum tentar fazer sua a parte, a parte que a Constituição do país lhes incumbiu, para tentar resguardar a dignidade de tantas outras famílias.

Juízes, como eu, excelência, que se empenham no trabalho pela consciência do dever de virtude, que respeitam seus pares, sejam eles de instâncias inferiores ou superiores, mas que podem se dar ao luxo de falar o que deve ser dito, pois não pautam sua conduta pelo desejo de ascensão funcional.
 
Juízes, como eu, Excelência, uma ex-estudante esforçada e sonhadora, que logrou aprovação em concurso público para o ingresso na magistratura, um ingresso isento, democrático, justo, meritocrático e nada mais.

Juízes, como eu, excelência, que olham nos olhos do jurisdicionado durante o interrogatório e dele despedem-se, dizendo-lhes um “seja feliz”; que sonham com o dia em que, no Brasil, nosso povo possa falar como falou o moleiro, pois, se nossa gente assim não fala, não é porque faltam juízes no Brasil, mas porque a muitos interessa que o povo não saiba do valor da magistratura nacional.

Esperava eu, sr. ministro, talvez ingenuamente, que Vossa Excelência, mesmo nunca tendo sido juiz, sendo ministro presidente do Supremo, não estivesse engrossando a fileira desses muitos.

Todos nós, sr. ministro, todos nós juízes merecemos respeito. É apenas o quanto pedimos dos outros, os outros como Vossa Excelência, que nunca foi juiz. Como Vossa Excelência mesmo ressaltou, Vossa Excelência é ministro, ministro presidente do STF.

Juíza sou eu, o Dr. Ivanir César, o Dr. Nino Toldo, tantos de nós, que temos nomes sim, que desejamos e merecemos, como qualquer cidadão respeitado, ser chamados por ele. E que temos voz também, uma voz que repercute profundamente no seio da sociedade e que não precisa de permissão de nenhum homem ou mulher para se fazer ecoar. Uma voz, que não pode se fazer calar pelos gritos exaltados do destempero do Poder. Uma voz, que a Constituição quis que falasse pelo cidadão, no resguardo dos seus direitos, principalmente quando todas as outras vozes calassem ou dissessem o contrário.

Por fim, ministro, se Vossa Excelência puder, peço que aceite o desabafo dessa juíza de primeiro grau ao senhor ministro presidente do Supremo Tribunal Federal. Com todo respeito que devo a Vossa Excelência, que é o mesmo que desejo para mim mesma, para os meus pares e para os meus concidadãos. Seja feliz!

(publicado no site Espaço Vital)

 







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