Gatas, guitarras e cachorrada solta

22 01 2011

Gosto de escrever sentado num bar, só, tomando um whisky ou um vinho. Escrevo sempre a mão num bloquinho, como antigamente. Pode ser qualquer lugar, um boteco na esquina ou um pub bonitinho como o Black Swan onde escrevi este.

A fauna do boteco está ansiosa como larvas na carne podre. Gatinhas, gatas coroas, gatas sem rumo. E a cachorrada solta. Olho a banda tocar e tento entender os movimentos das mãos nos instrumentos. Um dia ainda aprendo a tocar alguma coisa. No fim das contas, um braço de guitarra, que é fino como o de um violão folk, é uma área para tamborilar. A batida com a outra mão é outra coisa parecida. Penso que é preciso pegar o sentido da coisa. Os movimentos dos dedos são uma conseqüência da compreensão. Fantasio. Projeções envelhecidas de mulheres do passado irrompem a cada momento. Vi uma possibilidade de imagem para uma amiga, muito mais magra mas com a idade atual. Quem poderá dizer que esta imagem não corresponde à verdade em alguma linha histórica que não passou por aqui? Um dos segredos da bateria está na fixação dos instrumentos que devem ser colados ao chão e não se mexer nem um milímetro mesmo levando porrada o tempo todo. Quantas mulheres ao redor. Tinha uma que me olhava mas fiquei com a sensação que logo após a abordagem ela me diria o preço. Tinha para todos os gostos. E eu tentando entender como se toca guitarra!
Inusitadamente entram uma mãe e a filha de uns cinco anos. Entram a passo de vencedores. A pequena puxando a ocupação. Isto é que é educar filhos! E o futuro a deus pertence, e os mocinhos sempre vencem no final e eu sou mocinho. E a banda está exatamente na minha frente e na mesa da banda chega um enorme prato de fritas. E eu não estou em dia de caça. Ouvi a expressão “coroa” atrás de mim. É despeito. O caso é que cheguei quando o bar estava lotado e com minha sorte e o otimismo que nunca me deixou, consegui um lugarzinho de frente pra banda, com vista superior do ambiente e esse povo que já estava aí bem antes ainda está em pé tentando se ajeitar. Sou um estranho no ninho, escrevendo em alta velocidade, a mão, num caderninho. E com todo este jazz rolando, tem gente que está aqui como se estivesse escutando pagode, sem dar a mínima. Aquela coisa de treinar posições dos dedos sobre o braço do violão é conversa fiada pra valorizar os professores de música. É só tamborilar e sinconizar os tamborilares da mão esquerda com os da direita. A flautista convidada mata a pau. O baterista usa um pedal que bate num instrumento de sambista parecido com um cone achatado. Talvez falte um pianinho na banda.
Ôpa! Entram duas vestidas para matar.

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3 responses

22 01 2011
LUCIA

Tás no osso amigo ein? mas nada como uma seca pro cara aprender a comer farinha.
Hahahahaha, e a gata? (pára de chamar o pessoal do Jazz de “banda” que eles gostam é de ser “grupo”) Bj. Em abril vem o Elvis Costelo, showzaço.

24 01 2011
klein

li e gostei

24 01 2011
elaine

lindo texto Caio… com notas de uma amada solidão… bom ou ruim? quem poderá dizer senão o rosto que te mede no espelho??? Beijocas….

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