Não é tudo a mesma coisa

21 01 2011

Esperar não incomoda quando se tem um copo de whisky na mão. É o caso. E só se faz apostas altas quando se tem cacife prá continuar jogando. Enquanto Freud explica o Diabo fica dando os toques. E o Diabo é o pai do Rock. E o filho do Raulzito é DJ e estará nesta cidade nos próximos dias. E se a vida é uma estada em terra estranha, então deve ser vivida como uma aventura.

Qual o momento de entrar numa peleia e qual o de deixar prá lá?

Prefiro pelear contra inimigos declarados e não contra pessoas ocasionalmente desorientadas. Prefiro pelear contra os que oprimem minha classe do que contra trabalhadores de qualquer tipo. Sempre.

E neste momento me assalta uma dúvida pós moderna.

Os gregos costumavam usar uma mesma palavra para arte e trabalho. Para eles tudo o que é feito pela mão do homem pertence a uma mesma categoria.

Um pós-moderno diria que um capitalista trabalha. Efetivamente ele trabalha. Precisa fazer reuniões, organizar equipes, prever cenários, coordenar grupos de trabalho. Um sindicalista de esquerda se ocuparia de atividades muito parecidas.

Mas o que um pós-moderno não quer é se posicionar, é tomar partido, é assumir um lado. Até porque, todos os pós-modernos que conheço estão dentro das academias, confortavelmente instalados, sem sofrer os efeitos da relação de dominação de classe existente no chão da fábrica. Então, para eles é fácil concluir que o operário e o patrão são a mesma coisa porque ambos trabalham. Pós modernos! Estes sim são tudo a mesma coisa.

Anúncios

Ações

Information

2 responses

22 01 2011
Dona Flor

Dear Cusco, nous ne somme pas les mêmes choses, há as que gritam, as que choram, as que se vestem de preto…hermano, tô achando que esse papo de estada em terra estranha é covardia psicanalítica do Pessoa para nos torturar. Talvez seja mais sincero pensar segundo Antonio Machado que diz que “viver é bom (…) e melhor que tudo (…) acordar”. Fernando Pessoa, português, estaria, numa comparação, para o antigo império romano (robusto e polifacético), como Machado, espanhol, estaria para a Grécia antiga (clássica e vivaz). Por isso aproveito suas deixas para falar do que ando ruminando por estes dias, quando por querer incluir a tudo no breve cotidiano do tempo termino pensando no amor, na frugalidade do amor, como diriam os saudosos helenos. Antes do bode capitalista pós-tirania romana, estava o amor, ou pelo menos uma prostituta amável e frugal. Das que ofereciam muito, seu sexo, entre outras coisas, em troca de pouco, mas que lhes bastava. Mas estes eram outros carnavais, sob outros menestréis. Em que por uma abstenção consciente de uma vida meramente reprodutiva, se buscava abertamente o prazer, e não o lazer, a dissolvição lenta das horas e não um evento de consumo. E o trabalho daquelas mulheres era coisa de se prestar atenção, pois possivelmente ali o amor estivesse guardado, ainda lento e em desalinho. Antes do aberto mercado de trocas, antes de calcificarem os artesãos até estes se tornarem operários, antes de impedirem que bruxas histéricas cuspissem fumaça pelas narinas, antes de ontem, antes das cinco da tarde, antes que a comida estivesse exposta e passasse sobre esteiras. Naqueles momentos, o que se dava entre um homem e uma mulher era muito mais parecido com uma navegação erótico-artística que uma disputa de verdades. Portanto, meu querido amigo, acredito que é necessário tomar posições sim, mas nunca à custa da perda do encontro vespertino de dois corpos que se laçam.

22 01 2011
caioteixeira

Uau! Só ter provocado toda esta inspiração já valeu o delírio do texto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: