Por falar em espécie

17 05 2010

Mandei para minha lista de emails um desenho animado em que uma mãe mendiga com um filho ao lado e outro pendurado no seio vazio está sentada numa calçada onde as pessoas das quais se vê apenas as pernas passam ignorando totalmente sua presença. De repente as pessoas vão parando na frente da mendiga que permanece com o olhar vazio. O plano se abre e vemos que as pessoas não pararam por causa da mulher mas para ver um jogo de futebol da seleção brasileira que passa em televisores expostos na vitrine em frente da qual se encontra a mulher. Todos vibram com um gol menos a mulher. Como título do email escrevi: Retrato do capitalismo.

Alguém me responde questionando se é certo atribuir toda a nossa indiferença, cinismo e hiprocrisia ao capitalismo. Como exemplo, pergunta “quando um pai estupra uma filha de 5 anos, será que dá pra culparmos o capitalismo? será que o sistema econômico e político em que estamos mergulhados é o responsável pela nossa ‘miséria’ ?”

Respondo minha resposta. Mesmo sem ser pessimista devo constatar que afinal este sistema foi criado por nós humanos. Lamento mas sou obrigado a concluir que nossa espécie não deu certo. Deve ter sido algum erro genético na fórmula original. Nossa espécie tem um defeito de nascença. É difícil para quem se considera a obra prima da criação, se olhar no espelho e ver que somos uma espécie de HIV contaminando o planeta inteiro. Penso que a dificuldade de admitir esta óbvia realidade é que leva muitos a criar deuses para se eximir da responsabilidade ou procurar alguma explicação alternativa que não afete o narcisismo. Outros chegam perto da constatação mas acham que a solução é fazer uma seleção de indivíduos sem defeitos para purificar a espécie. Assim nasceu o nazismo. Talvez cheguemos a um admirável mundo novo. A lógica belicista marketeada pelo Império atual é eliminar o excedente de pessoas para que o mundo fique melhor.

Raul Seixas desistiu e pediu socorro: “Ô seu moço do disco voador, me leva com você prá onde você for. Ô seu moço, mas não me deixe aqui, enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí”. Mas calma! Não entenda errado. Suicídio não é solução. Pelear é sempre melhor e criar é a vocação humana. Apesar dos nossos defeitos de nascença podemos criar coisa melhor que que este sistema injusto e desumano.

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